14/09/2009

Capítulo 5 - Visões do lado negro

Música recomendada => "Death - Land of no Return"

E então, correndo como desesperados, eles finalmente chegaram a cidade mais próxima, se é que se poderia chamar aquele ferro-velho de vergalhões retorcidos e concreto despedaçado de cidade. O que restara dos prédios era apenas uma imensa ruína, onde pessoas moravam em meio aos escombros daquilo que outrora poderia até ter sido algum tipo de centro comercial. O que sobrou das ruas antigas era apenas uma grande mistura de asfalto, terra e lama, de onde surgiam apenas urticárias e ervas-daninhas. Em alguns cantos haviam plantações de tamanhos médios, até consideráveis, vendo a dificuldade de se crescer algo naquela terra.

A verdade é que, com a mudança repentina do clima naquela região, o solo tinha se tornado estranhamente fértil e, mesmo que fossem ervas-daninhas e urticárias, ainda conseguia se plantar algo ali. Fora isso, era uma cidade aparentemente pacata, como qualquer uma nestes tempos doentios. Havia famílias sobrevivendo da sua plantação e pessoas retornando para suas casas com pequenos baldes de água potável. Mas algo desconcertante era a claríssima expressão de medo e insatisfação no rosto das pessoas. Oras, elas conseguem água potável, que é algo raríssimo na Rússia de hoje em dia e ainda tem plantação. Do que eles aparentavam ter tanta amargura e ressentimento? Qual seria o problema, então?

Só perceberam o problema quando, ao passar por uma espécie de guarita, Joseph identificou a estrela de oito pontas. Aquela cidade fora tomada por Jack Frost e tanto Joseph quanto Alisa acabaram de entrar em uma imensa enrascada. Eles foram vistos por dois guardas, que logo soaram o alarme e cercaram o casal. Eram cerca de vinte e cinco motociclistas, sendo que um deles era bem grande, tinha aproximadamente uns 2 metros de altura, era bastante musculoso e tinha uma feição que dava bastante medo em qualquer pessoa que este olhasse. Quando viu Joseph, ele se colocou na frente dos outros motoqueiros e disse:

- Ora, ora, ora. Vejam Só! Dois ilustres convidados na nossa linda cidade de Nizhniy Novgorod! O que traz vocês até aqui, Joseph Polyanski e Alisa Zhilianev? Seria o destino? - Disse, com um tom de deboche.
- Eu não tenho idéia de quem você é ou de como sabe meu nome, eu só não quero confusão. Me deixem sair. - Joseph responde em um tom sério
- Não. - Diz o motoqueiro, rindo. Ao mesmo tempo, todos os outros começam a rir junto.
- Eu vou ter que te tirar a força então? - Joseph não perde a seriedade e não aparenta estar intimidado.
- AHAHAHAHAHA!!! UM FRANGOTE COMO VOCÊ VAI ME FAZER SAIR DAQUI? ESSA EU QUERO VER!
- Então estou esperando. Bate no frangote, covardão - Joseph usa um tom de sarcasmo para provocar ao motoqueiro.
- E ainda é insolente... HAH! Vejam todos! É o primeiro tolo que ousa desafiar a "DIABOL ASFALTA" ("ДЬЯБОЛ АСФАЛТА" ou, traduzindo, "Demônio do Asfalto")!!! E ainda acha que vai ficar vivo!!!

O ronco dos motores soou mais forte, e parecia que iam atacar em grupo.

- Mostrem pra eles por que não se deve mexer comigo.

Foi dado o primeiro comando e, repentinamente, 5 motos partiram para cima de Joseph. Estava em completa desvantagem, se não fosse Alisa ter atropelado pelo menos três. Mas ainda tinham dois. E motorizados, pra piorar.

Vieram mais 5 motoqueiros para cima e, enquanto não tinha nada em mente, Joseph apenas conseguia se concentrar em desviar das motocicletas, quando ele reparou que não eram para cima dele que estavam indo, mas sim na direção de Alisa, que derrapava com o carro em uma vã tentativa de derrubar os motoqueiros.

Em meio a todo aquela luta caótica, um dos motoqueiros conseguiu acertar Alisa e a arremessou para fora do carro, desacordando-a. Joseph então tentou se aproximar, mas os motoqueiros restantes formaram uma espécie de cerco e o impediram de qualquer tentativa de resgate.

- ALISAAAAA!!! - Grita Joseph, desesperado.
- Se eu não levo você, levo sua namoradinha, OTÁRIO!!! AHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! - Gritou um dos cinco que estavam carregando Alisa para longe.
- LARGA ELA, SEU VERME!!!
- Ooooh... O namoradinho ficou irritado. Sinto tanta peninha dele, ainda mais que ela vai servir como concubina direta do Jack agora. HAHAHAHAHAHAHHAHA!!!! - Diabol ria sarcasticamente, enquanto os motoqueiros se preparavam para sair.
- ALISA!!! ALISAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!! - Gritava Joseph, ainda cercado.
- Ah! Aproveitando a viagem, matem esse imbecil por ele ter sido ousado a ponto de desafiar ao grande Jack Frost e a Diabol Asfalta! E pra que ele vai querer esse carro? ele vai estar morto mesmo? HAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! - Diabol disse isso enquanto explodia o carro de Alisa e partia junto com seu bando rumo a Leste.

Era o fim. Joseph estava completamente cercado, vendo sua parceira ser levada para ser concubina de um bandido porco e imundo e só tinha uma faca para se defender. Mesmo que saísse quase morto, Joseph determinou para sí mesmo que encontraria o cofre negro e salvaria Alisa das garras de Diabol e de Jack Frost. Mas agora era bastante difícil pensar nisso, vendo a situação de vida ou morte em que ele se encontrara.

De repente, uma das motos vai em direção a Joseph e o motoqueiro o ataca com uma morningstar. Joseph, consegue se desviar com um certo esforço do ataque e agarra a corrente, derrubando o motoqueiro. Neste instante todos fecham o círculo e partem para esmagar Joseph. Este, por instinto ou por algum aviso divino, tem a idéia de se jogar ao chão e rolar para a sua esquerda, fazendo com que todas as motos colidissem e os motoqueiros que não morreram na colisão ficassem no chão agonizando de dor enquanto suas motocicletas começavam a pegar fogo. Uma das motos, infelizmente, caiu por cima das pernas de Joseph, que agora ficara imóvel. Com muito custo, ele conseguiu retirar a moto de cima de suas pernas e saiu cambaleando para manter distância da explosão eminente. Assim que ele se distanciou uns 50 metros, as motos pegaram fogo e explodiram, junto com o carro de Alisa. Joseph não tinha mais um veículo para ir para São Petersburgo. E nem uma parceira.

Ao ser arremessado pela força da explosão dos veículos, Joseph bate em um muro e fica temporariamente tonto, mas consegue se recompor a ponto de levantar e continuar em frente. Mas em frente pra onde, se ele nem sabia pra que direção era São Petersburgo? Será mesmo que o caminho que Alisa estava levando ele era o correto? Ou será que nem ela sabia o caminho e estava indo para aquela cidade tentando encontrar informações? Rondavam mais e mais perguntas na confusa mente de Joseph, que se encontrava cada vez mais perdido. Ele estava desolado, jogado em um beco a noite, quando uma senhora o viu e resolveu tentar ajudar:

- Meu jovem, eu vi o que aconteceu... sinto pela sua garota... - Disse ela.
- Obrigado, mas não precisa. Senhora, eu tenho uma pergunta. - Diz Joseph, completamente desgostoso de estar alí.
- Pois não, diga?
- Para onde fica São Petersburgo?
- É ao nordeste da nossa mãe Rússia. Lá é conhecido como "A Grande Capital Congelada" por ser o domínio de Jack Frost, e também por ser onde ele está situado.
- JACK FROST SE SITUA EM SÃO PETERSBURGO? - Diz Joseph, espantado.
- Sim, você está em Nizhniy Novgorod. Sinto lhe informar mas veio para o lado errado. - Diz a senhora, tentando amparar o amargurado homem.
- ...
- Jovem, é tarde. Presumo que você não tem lugar para ficar. Por que não vem até minha casa e descansa um pouco até poder partir de manhã?
- ... - Joseph seguiu a senhora sem sequer falar uma palavra.

A Senhora aparentava ter mais ou menos 60 anos de idade, tinha traços bonitos em seu rosto, porém já gastos pela idade avançada. Deveria ser muito bonita quando nova. Aparentava ter mais ou menos 1,70m e, apesar da idade, aparentava ainda uma saúde invejável. Joseph entrou na residência da senhora e se sentou a uma mesa. A mesa era de concreto, como aquelas que se encontravam nas praças, onde senhores de idade avançada jogavam determinados jogos de antigamente com pequenas peças metálicas provindas de algum recipiente ou com pedras pretas e brancas, e as cadeiras eram algo como bancos de concreto também, provavelmente de uma era oriunda ao tempo em que Joseph ainda era muito novo para se lembrar de algo. A senhora, preocupada com Joseph, disse:

- Eu sou Katarina. Como se chama?
- Joseph.
- Sei que não é da minha conta Joseph, mas o que você e sua namorada faziam por aqui?
- Estávamos a caminho de São Petersburgo, quando sem querer paramos aqui em Nizhniy Novgorod e fomos surpreendidos pelo bando de Jack Frost e Diabol Asfalta. Eu estou a procura de um cofre negro que está em São Petersburgo, mas pelo visto já deve estar nas mãos de Jack Frost...

Quando Joseph citou o cofre negro a expressão de Katarina se tornou mais séria, e ela respondeu abruptamente:

- Quem te falou desse cofre? - Disse Katarina
- Meu falecido pai, por que? - Disse Joseph, olhando com uma determinada desconfiança para Katarina.
- Não é só um cofre negro. São Três.
- T... Três?
- Sim, três cofres negros, todos eles com uma única senha que Jack Frost está tentando reunir e arrombar ambos.
- M... Mas afinal, o que tem dentro desses cofre de tão importante? O que tem dentro desses cofres pra que esteja acontecendo toda essa violência e esse caos?
- Isso não sei. O que sei é que você PRECISA reunir eles. Eu escondí um deles, e também possuo a localização dos outros dois. Um deles é esse daqui.

Katarina então, mostra o cofre a Joseph, que fica com os olhos maravilhados e ao mesmo tempo, com extrema curiosidade. O cofre tinha uma espécie de painel aceso e um quadrado com dez números. Nesse painel apenas aparecia passando a mensagem "Digite a senha para abrir o cofre". Joseph então, digita a data completa do aniversário de sua mãe, e o negro cofre então se abre...

0 comentários:

Postar um comentário