Assim que Joseph se retirava do ferro velho, algum motivo fez com que ele virasse o seu olhar para a esquerda e ele pode avistar uma moto, não que fosse uma moto intacta, mas já enferrujada e encoberta de neve. Alguma coisa lhe dizia que poderia haver alguma possibilidade dela estar funcionando e isso acendeu uma esperança nele. Joseph então, se dirigiu a moto e pode verificar que a mesma estava funcionando. Não estava 100%, mas mesmo assim já era uma ótima ajuda para poder sair dali daquele ferro velho e poder agilizar um pouco mais a viagem até Moscou.
Mesmo que Joseph não soubesse dirigir carros, pelo menos com motos ele conseguia se virar, já que gostava de andar sobre duas rodas desde pequeno. seu único problema mesmo era com carros, os quais ele nunca teve familiaridade. Já era de madrugada quando Joseph viu um estranho clarão, próximo a vila de Parkoy. Chegando mais perto da vila, ele identificou um corpo que estava no chão. Era de uma das senhoras que estavam cuidado dele quando ele estava na vila logo depois de acordar. Ao chegar na vila ele pode encontrar tudo em chamas e completamente destruído. Imediatamente se apressou para checar se o Patriark estava bem, mas tudo o que encontrou foi o corpo nú e morto de Mamushka, e o Patriark completamente ensanguentado e sentado em sua cadeira, quase morto.
- OLEG! OLEG! VOCÊ AINDA ESTÁ VIVO?
- Jo... Joseph... - Responde Oleg, com as últimas forças que lhe restam
- Meu deus! O que aconteceu aqui? Não me diga que...
- J... Jack Frost passou por aqui... Eles estupraram Mamushka e a mataram em minha frente e estavam com a Alisa... - Oleg tosse, começando a fraquejar
- Diabol... ele estava com eles... - Diz Joseph, com ódio nos olhos
- Sim... o Demônio do Asfalto, Diabol Asfalta, estava com eles. Eles estavam atrás de um cofre negro, aquele que você procurava também - Oleg tosse mais uma vez - arf... mas este cofre não está aqui, parece que está em Moscou, dentro de uma das vilas.... - outra tosse
- Não... A VILA DE ZALSKI NÃO!!! - Diz Joseph, temendo que matassem a todos de sua antiga vila
- Você deve se apressar se quiser alcançá-los, por que se eles acharem esse outro cofre, é o fim. Jack disse que são três e tem a posse de um deles. Se ele conseguir os outros dois, é o fim. Ele vai ter o domínio de toda a Rússia em suas mãos... ou pior... - Oleg tosse novamente, é visível que ele não tem mais forças para falar - Joseph... vá, rápido. pegue os outros dois cofres antes que Jack os pegue... An... A... Antes.. Vá... a garagem... a... a... - Oleg respira fundo e tomba com sua cabeça para o lado esquerdo, morto.
- Oleg... OLEG!!! - Joseph sacode o corpo de Oleg, em vão.
O único barulho que consegue ser ouvido dentro daquela sala é o barulho do fogo corroendo as armações da casa de Patriark. O sentimento ruim que tomava conta de Joseph conseguiu se definir em duas formas distintas, porém intimamente interligadas: Ira e Rancor. Depois do acontecido, Joseph saiu da casa de Oleg e se dirigiu ao que era a garagem, para ver o que Oleg tinha lhe falado. No caminho, ele percebeu que sua moto não estava mais no local onde ele havia deixado, tendo desaparecido. Joseph não estava só naquela cidade. Quando Joseph se deu conta, haviam dois capangas de Diabol cercando-o.
- Então é esse o verme que o Diabol quer que a gente dê conta? - Diz um deles, rindo sarcasticamente
- Isso vai ser mole, o cara é um franguinho! Não dá nem pro começo!!! - Diz o outro, rindo alto.
- Ah é! Aquela lata-velha era dele? QUE PENINHA, PARECE QUE A LAMBRETA MORREU! - Ao dizer isso, os dois começam a rir maliciosamente.
Eram dois homens altos e loiros com 1,87m, gêmeos, um com dreads até os ombros e o outro com cabelo curto, com corte estilo asa delta. O que tinha os dreads tinha a cara limpa, já o que tinha o cabelo curto, tinha uma grotesca cicatriz que cobria todo o seu rosto da testa ao queixo, passando por cima do que era o olho esquerdo deste, fazendo um formato de lua no rosto do mesmo.
- Nós somos os "Luna Gemini", e esse é o último nome que você vai ouvir antes de sua morte lenta e dolorosa!!! - Falam os dois com uma descontração e satisfação mórbida.
Joseph permanece calado, só olhando os dois, que estão com armas estranhas na mão. O homem com os Dreads começa a rodar a bola de espinhos acorrentada a barra de ferro, que assusta devido ao tamanho, que seria de duas vezes maior que uma morningstar maior. O outro, carregava uma morningstar que não tinha uma bola, mas sim algo que lembrava uma foice, com a lâmina também presa a uma corrente ligada a uma barra de ferro. Mesmo com essas armas estranhas, Joseph não se intimidou.
- Franguinho? Então por que não vem pegar, ô Buldogue? - Diz Joseph, sério.
- BULDOGUE? VAMOS VER SE VOCÊ DÁ PRO GASTO E SE EU NÃO VOU ROER SEUS OSSOS, SEU MAGRELO! - Diz o homem com dreads, enquanto parte para cima de Joseph.
Os dois atacam juntos, como se fossem esmagar e rasgar Joseph ao meio. Joseph só pensou em abaixar, quando a foice raspou em seu cabelo, cortando alguns fios. Ele rolou para o lado e viu a lâmina da foice caindo exatamente ao seu lado. Joseph se levantou de um salto e tentou esfaquear o homem com dreads, sem sucesso. O homem de dreads era muito rápido, e o outro também tinha uma agilidade absurda, tendo em vista que manejava aquela foice estranha com uma habilidade descomunal.
" - Droga, se eu continuar desse jeito vou virar churrasco desses dois. Eles são rápidos demais. Tenho que pensar em algum jeito de fazer com que eles se acertem ou que se distraiam... "
Joseph teria que analisar metodicamente como os dois agiam para encontrar algum ponto fraco, o problema é que ele não encontrou. Não com eles juntos. Se Joseph conseguisse separar de alguma maneira os dois, ele quem sabe teria alguma vantagem. Joseph então, quando se esquivou do golpe da maça gigante, correu para um beco estreito da vila, quando os dois foram seguindo-o. O problema é que esse era um beco sem saída, e os gêmeos chegaram ao seu alcance e ele se encontrava agora encurralado pelos dois. Ou iria ser esmagado pela enorme bola de espinhos ou ceifado pela foice. Ou ambos. O homem de cabelos curtos ria freneticamente enquanto o outro se preparava para atirar a bola de espinhos. Era o fim.
Quando a bola de espinhos vinha em sua direção, Joseph teve um estalo na sua mente de que quando era mais novo brincava de escalar muros ou de subir em paredes de becos. Joseph não pensou duas vezes e pulou para escalar a parede, esquivando-se da bola de espinhos que prendeu na parede, garantindo o ataque que Joseph teria que acertar. Ele, então, perfurou o crânio do homem de dreads e saltou para fugir da foice, que o outro lançara em sua direção. A foice chegou a pegar de leve no peitoral de Joseph, deixando um corte severo. Sangrando agora, Joseph tinha que pensar em um jeito de matar aquele que restara, pois a risada frenética sumira, dando lugar a urros e rugidos de raiva por ter morto seu irmão.
- EU TE MATO!!! VOU TE MANDAR PRO INFERNO PRA QUE MEU IRMÃO POSSA ESMAGAR VOCÊ TODA VEZ QUE VOCÊ RESSUSCITAR, MALDITO!!! - Gritava o homem com a cicatriz grotesca no rosto
Joseph apenas conseguia correr e se desviar dos ataques daquele homem ensandecido que iria fazer picado dele se errasse qualquer movimento. Em um dos ataques, Joseph tentou se desviar mas acabou caindo no chão, indefeso. O gêmeo desfere o que ele achava que seria o ataque final, quando Joseph rola para o lado e a lâmina finca ao chão. Joseph se levanta e parte para esfaquear o gêmeo, que o arremessa longe com um soco, fazendo com que Joseph bata de costas em uma parede e fique desorientado por um curto período de tempo, arremessando a faca que ele segurava para longe.
Então, o Gêmeo consegue retirar a lâmina do chão e parte para atacar Joseph, quando uma figura inesperada aparece e apara o golpe que o Gêmeo iria desferir em Joseph com uma barra de ferro. Em seguida, ele afasta a lâmina, puxa um soco inglês e começa a socar o gêmeo com toda a força, até ver que o mesmo estava desacordado e não respirava mais. Joseph não acreditou que escapou da morte por um fio, e que se aquela pessoa não estivesse ali ele estaria morto naquele instante. Querendo agradecer, Joseph se levantou de onde estava, e perguntou:
- Obrigado por ter salvo minha vida. Quem é você?
- Alguém que tem motivos de sobra pra querer matar você, mas que prefere te ajudar pelo menos por enquanto... - Disse essa pessoa, com um tom não muito amigável.
Aquele tom que a pessoa utilizou era completamente hostil, e não o de alguém que acabara de salvar uma vida por mera vontade. O que deu naquele homem para ter salvo Joseph afinal?
- Vamos dizer que sou alguém que perdeu tudo o que tinha e metade daquilo foi culpa sua. - Disse o homem misterioso.
- Minha? Como assim? Eu nem te conheço e você já vem dizendo que eu tirei tudo da sua vida? - Joseph pergunta, incrédulo e confuso.
- Meus pais morreram aqui nesta vila, meus pais que eram também os pais desta vila, meus pais que confiaram a vida da mulher que amo a você. - Diz o homem, com um tom profundo e cheio de ira.
- Você era filho do Patriark? Sinto muito, mas eu...
- SEM MAIS, DESGRAÇADO! - Grita o homem, que se segura loucamente para não avançar em cima de Joseph - POR SUA CULPA A VILA INTEIRA PERECEU! POR SUA CULPA ALISA ESTÁ NAS MÃOS DAQUELES IMUNDOS! POR CULPA SUA MEUS PAIS MORRERAM!
- NÃO, NÃO FOI CULPA MINHA, VÊ SE ME ESCUTA! - Grita Joseph, desesperado
- EU DEVIA... Eu... - O homem se esforça o máximo que pode para se acalmar - Eu devia te matar aqui agora... mas eu tenho que salvar Alisa primeiro... Alisa... - ele permanece respirando fundo
- ... - Joseph fica mudo e completamente sem reação após aquilo. Qualquer deslize e ele era espancado até a morte.
- Você não merece saber meu verdadeiro nome, apenas me chame de "ГЕРОИ АСФАЛТА" ("Geroy Asfalta", ou traduzindo, "Herói do Asfalto"). - Joseph permanece calado enquanto Geroy sobe em uma moto com um esqueleto na frente - Se nossos caminhos cruzarem-se novamente, prometo que você é um homem morto. - Geroy diz isso e logo em seguida parte com sua moto, sumindo no horizonte.
"Ótimo, mais um. " Era tudo o que vinha a mente de Joseph. Mais um inimigo que Joseph não tinha condições de enfrentar por ser MUITO mais forte que ele... o que lhe restava era somente ir até a garagem e ver o que restava para ele. Chegando na garagem ele identificou uma moto, parecia uma Yamaha simples, mas que estava em ótimo estado de conservação. Joseph então, subiu na moto e saiu em disparada para Moscou, para sua antiga vila de Zalski, esperando que Diabol e os outros não chegassem a tempo...
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