04/08/2010

Capítulo 15 - Sacrifício e Ressurreição

Música recomendada => Fear Factory - Ressurrection

Já era noite, e eles passavam pelos escombros da vila de Parkoy, de onde muitas memórias que Joseph queria apagar da mente. Teriam que andar um pouco mais, quem sabe Joseph conseguisse chegar até Nizhny Novgorod e encontrar Katarina para que ela cuidasse de Geroy, como ela fizera consigo.

Isso se ela ainda estivesse lá.

Passava da Meia-Noite, e Geroy cada vez mais fraco, a ponto de perder a consciência. Joseph sabia que o tempo corria contra ele. Até que, aproximadamente as 1 da manhã, Joseph conseguiu alcançar a cidade de Nizhny Novgorod.

Katarina, ao longe, viu luzes se aproximarem de sua casa. Rapidamente escondeu-se, mas quando identificou Joseph, correu ao seu encalce para saber como este estava, mas viu o homem ferido em sua garupa, inconsciente e ficou bastante receosa. Joseph, ao ver Katarina, parou a moto e começou a carregar Geroy.

- O que está fazendo carregando este homem, Joseph? - Pergunta Katarina
- Por favor, Katarina, peço que me ajude. Este homem está quase morto, e preciso de alguém que possa cuidar dele. - Apreensivo, Joseph conclui - Sei que você pode ajudá-lo. É uma dívida que tenho com ele, e acredito que é o mínimo que posso fazer.

Katarina fica parada por alguns instantes, sem reação. Mas logo em seguida entra com ambos em sua casa e pede a Joseph para que ele separe os curativos que ela ainda tinha em sua estante. O momento era de tensão, já que Geroy estava a beira da morte, por ter perdido tanto sangue. Joseph só seguia as instruções de Katarina enquanto ela fazia os curativos, já que ele não entendia muito de medicina. Ela tinha uma surpreendente precisão na hora de suturar e fechar todos os ferimentos e de preparar os curativos, ao ponto de ser quase mecânica.

"Deve ter sido médica antes do mundo ter ficado desse jeito." Pensou Joseph, que estava segudando uma gaze para tampar a amputação da perna esquerda de Geroy. Felizmente, os curativos foram suficientes para tampar o sangramento de Geroy, porém, ele havia perdido muito sangue, e uma transfusão seria necessária para que ele pudesse continuar vivo. Mas quem ia doar sangue para Geroy se nem ao menos o tipo de sangue dele eles sabiam?

- Katarina, eu quero tentar. Vou doar meu sangue a Geroy. - Disse Joseph, em uma tentativa de salvar Geroy.
- Podemos tentar, mas ainda há o risco de seus tipos sanguíneos não serem compatíveis, o que poderia matá-lo. - Disse Katarina.

Após essa afirmação, Joseph ficou receoso de doar o sangue a Geroy. E se seu sangue o matasse? A morte de mais um aliado só iria piorar sua situação, que já não era das melhores. Foi ai que aconteceu um fato completamente inesperado e deveras surpreendente, não só para Joseph, mas principalmente para Katarina, que sabia que o que estava acontecendo era humanamente impossível: Geroy começou a se regenerar em uma velocidade absurdamente rápida. Os sintomas de falta de sangue já não eram mais evidentes, os ferimentos foram se fechando e cicatrizando em uma velocidade inumana, haviam sinais de regeneração de suas duas pernas amputadas, como se elas estivessem se reconstruindo.

Katarina não conseguia acreditar naquilo que estava vendo. Era impossível um homem normal ter a regeneração de um réptil quando fosse desmembrado. Mas aquele homem regenerou suas pernas amputadas como uma lagartixa regenera seu rabo. Afinal, o que diabos era aquele homem?

- Como ele consegue se regenerar em uma velocidade tão anormal assim? - Diz Katarina, espantada com a velocidade de regeneração daquele homem

- Se regenerando? - Joseph pergunta, entendendo menos ainda

- Não está vendo? Há mais ou menos dois minutos esse homem estava a beira da morte, agora eu estou vendo todos os ferimentos dele se fechando e sua perna começando a se regenerar automaticamente! Isso é humanamente impossível! - Afirma Katarina, cada vez mais assustada com a regeneração de Geroy

- Então minha doação de sangue não é mais necessária. Bom, isso ao menos é um bom sinal. Se meu sangue fosse incompatível com o dele o que aconteceria? - Pergunta Joseph
- Os anticorpos rejeitariam o sangue, gerando uma reação em cadeia e consequentemente matando este homem. Mas, com a capacidade de regeneração deste homem, eu não sei sinceramente o que aconteceria. Quem sabe você apenas anularia o processo de regeneração deste homem. - Explica, ainda assombrada com a reação orgânica daquele homem.
- Entendo... Você também foi médica antes do fim do mundo, certo? - Pergunta Joseph
- Sim, e trabalhei no hospital geral de Moscow até o término do holocausto. Foram dias difíceis: Pessoas mutiladas chegavam a todo instante, mães morrendo e deixando crianças órfãs, pessoas que vinham deformadas em virtude da radiação das explosões nucleares, fetos que nasciam mortos e deformados graças a extrema pobreza e subnutrição das pessoas, Homens que outrora foram sadios encontravam-se completamente debilitados...

- ... - Joseph permanece calado, enquanto em sua mente passam as imagens de quando passou novamente por sua vila natal. Aquelas horríveis imagens que ele queria apagar de sua mente.

- Mas, o hospital teve de fechar pois os pacientes estavam morrendo não só pelas doenças e faltas de cuidados médicos, mas por que também nossas salas estavam caindo já e que os clientes morriam pela infecção que as salas causavam neles. Logo, preferimos fechar o hospital para evitarmos matar mais pessoas. Não adiantou, pois pelo visto parece que mais e mais pessoas nos procuravam para tentarmos ajudar, então, resolvemos nos instalar em nossas respectivas casas para poder ajudar as pessoas. Mas infelizmente o caos já havia se instaurado. Até ter aparecido a gangue de Jack Frost e ter piorado ainda mais as coisas. Mataram quase toda a população do local, nos forçando a fugir ou nos esconder. O que é mais estranho: Jack Frost parecia muito com um dos homens que outrora dirigiu um hospital da KGB que trabalhei antes de ter me tornado civil novamente.

- Então já foi da KGB?

- Apenas por um curto período de 3 anos. Sergey, como ele era chamado na época, era um homem generoso, extremamente dedicado a descobrir formas de curar doenças incuráveis. Pude ver de perto algumas de suas experiências e em alguns casos fiquei maravilhada. Ele conseguiu depois de incessantes 20 meses de pesquisa, dia e noite, por quase 24 horas de pesquisa, desenvolver uma cura para a paraplegia e a tetraplegia, graças a maravilhosa ajuda de células-tronco. Porém, depois que fui retirada do serviço, nunca mais ouví falar sobre seus experimentos. Até um bando retornar para nossa terra proclamando ser da gangue de Jack Frost. Quando soube que Jack Frost na verdade era Sergey, fiquei horrorizada e não pude acreditar que aquele homem que outrora fora um genial cientista se tornara um tirano ensandecido. - Katrina pausa, contendo o choro - Como pode, um homem com um coração tão bom e uma mente tão genial como a dele se tornar um monstro insano e doentio???

- O mesmo monstro que quase me matou, que arrancou meu braço e que tirou Alisa de mim...

- Quem? - Pergunta Katrina

- Ninguém... deixa pra lá... - Diz Joseph.

- M... MMM...

- Quem disse isso? - Katrina se espanta

- Mmmmhmmm... mmm...

Katrina se assusta ao perceber que quem está tentando falar é Geroy, que aos poucos recuperava a cosciência.

- MEU DEUS! JOSEPH, RÁPIDO! PEGUE O ANESTÉSICO!

Joseph corre para a estante para encontrar o anestésico, que não consegue encontrar. No entanto, um fato curioso o surpreende: Ao não encontrar o anestésico, algumas letras começaram a aparecer em sua vista. Joseph, assustado, fechou os olhos e novamente voltou a abri-los. As letras começaram a subir cada vez mais, em um efeito semelhante a antigos terminais de computadores. Joseph então começou a cambalear, perdendo todas as forças e desmaiando no chão, sem um motivo aparente.

Restarting all systems.
Engaging components. Check.
Restoring neural connections. Check.
Starting audio codecs. OK.
Starting video codecs. OK.
Rebuilding kernel v.0.6.6

Joseph não entende nada quando se levanta e enxerga essas letras em sua visão do olho esquerdo e permanece muito assustado ao perceber que ele estava vendo um terminal de computador em sua visão. Será que além do braço que Dmitri colocou em Joseph havia mais algum outro item que não lhe fora revelado?

De qualquer modo, ele estava vivo. E isso era o que mais importava agora.

Katarina estava a cuidar de Joseph, e ao ver que o mesmo recuperou a consciência, rapidamente correu para avisar Geroy:

- Geroy, rápido! Ele finalmente acordou! - Diz Katarina

- É, não me livro de você tão fácil hein? - Diz Geroy

- Eu... eu... não tô entendendo mais nada. Ainda estamos na casa de Katarina?

- Sim, estamos. E pouco depois de você desmaiar, eu recuperei a consciência. Felizmente minhas pernas, mesmo depois de terem sido amputadas, voltaram a se recuperar. Ainda não entendo direito o que acontece finalmente comigo, mas acho que é por que sou duro demais pra morrer - Diz Geroy

Um sorriso é arrancado do rosto de Joseph. - Que bom, espero poder contar com isso quando for mais pra frente. - Joseph ri - Então, acho que estamos quites né?

- Quites? Quites de que? Quem te disse que você salvou minha vida, rapaz? Mesmo que eu tivesse ficado ali parado na neve eu teria sobrevivido. Ou você acha que é a primeira vez que isso me acontece? - Rí Geroy

- E quase desacordando que nem um antílope prestes a morrer? NÃO ME ENROOOLA RAPAZ! - Rí Joseph

- Ah, seu ˜Pedik˜! - Rí Geroy

E um pequeno facho de esperança começa a surgir naquela terra há muito desolada.

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